Ela tem 38 anos, nesta foto tinha 26, e eu 8. Se chama Luciane, e é minha mãe. Me concebeu aos 18 anos, (1 semana após completar). Embora jovem, me planejou. Quando completei 3 anos, ela se separou, foi mãe solteira, na verdade sempre foi, desde que nasci, foi minha mãe e meu pai, meu aconchego, meu abraço, meu tudo, sempre me apoiou, sempre me fez "passar batida" a idéia de ter pai, como ela diz: sou bem resolvida quanto a isso, o "biológico" - eu chamava meu pai assim, pois não mantiamos contato - até me procurou algumas vezes, mas eu era fechada pra entrar nesta relação, tomava as dores pela minha mãe, não queria saber de contato, meu pai era ela, sempre foi. Fora isso, eu tinha meus avós, dia dos pais eu dava presente a eles, e pronto, tava resolvido o assunto, nunca me peguei abatida, triste, ou querendo meu pai, eu sempre quis a minha mãe, por ela ser jovem, queria viver, sair, se divertir, eu ficava sempre com a minha vó paterna - depois da minha mãe ela era meu outro grande amor, minha vó costuma me lembrar que eu tinha um pai, era filho dela, mas eu não media palavras, eu nunca quis saber detalhes, depois que cresci, lá pelos 10 anos, ele resolveu dar as caras por aqui, mas na verdade quem eu mais me importava se ia me buscar na vó, na escola, na festinha, era minha mãe, minha jóia. Até um acerta idade ela me chamava de "pézinho de barata branca", eu a-m-a-v-a dormir em cima dela, não sei, acho que eu sentia que ela estava presa, e que não sairia dali por nada. Sempre tive orgulho dela, era forte, guerreira, batalhadora, nunca me deixou faltar nada, se queria algo muito caro eu mesma dizia: MÃE O DIA QUE TU TIVER DINHEIRO TU ME DÁ? ela sempre supriu todas as minhas necessidades, senão podia aquele ela achava um parecido. Ela é linda, ela é ingraçada, ela é inteligente. Uma época trabalhou no hospital Moinhos, e subia toda a lomba da Ramiro comigo no colo, faça chuva ou faça sol, inverno ou verão, me ensinou tudo, foi minha amiga desde que nasci, a começar pelo fato de me livrar de ser chamada de ANTONINHA, uma vez que minha vó queria pôr este nome, já que nasci no dia de um tal santo antônio, ainda bem que minha bisavó Carolina morreu - Deus a tenha - pois assim recebi meu nome, Caroline. Hoje sendo mãe eu sei o que la sentia quando me deixava com alguém, quando me deixava na creche pra trabalhar, quando tinha que beijar minhas lágrimas, quando eu caia e me machucava, hoje eu sei que dor maior é quando seu anjo maior tem uma dor e tu não sabe onde é, não pode curar, se sente incapaz, por tudo e apesar de tudo, eu entendo a minha mãe, tudo isso porque hoje eu sou mãe, e dói dar tchau praqueles bracinhos estendidos com aquelas mãozinhas te chamando: mamãe, mamãe, mamãããããããe.
MÃEZINHA, EU TE AMO MUITO, OBRIGADA POR ME FAZER ENTENDER A VIDA, ME FAZER AMADURECER E AINDA ME FAZER RECEBER O AMOR DE DEUS ATRAVÉS DE TI, EU TE AMO, E TE AMO.
